Radio Tech - As alternativas ao CD para o DJ
22/04/2008 - por: Ronaldo Gasparian
Assim como em outras áreas, a tecnologia está trazendo alternativas para os
DJs, fazendo com que um bom repertório agite a balada sem a necessidade do CDJ.
É lógico que o resultado não chega nem perto do trabalho de um top, mas não faz
ninguém perder a noite. A festa Batalha de iPods, que nasceu na França em 2005 e
já é realizada em várias baladas no Brasil, é uma prova disso. Além das festas
do projeto Nokia Mob Jam, em que DJs conceituados se aventuram com um celular.
Até mesmo a noite de DJs do Tim Festival 2007 tem um exemplo, o Girl Talk, que
só se apresenta com laptop. Por fim, chegou agora o Pacemaker, primeiro setup
portátil de DJ. O !ObaOba preparou um Revistão com as novas tecnologias para
qualquer pessoa com bom repertório bombar a pista.
iPod
"Open the pod bay door, Hal!". O filme clássico futurista de Stanley Kubrick,
2001: Uma Odisséia no Espaço, inspirou o nome do aparelhinho que causou uma
revolução no modo como ouvimos música hoje. A mesma que começou com Napster e
derruba grandes gravadoras.
Lançado em outubro de 2001, logo depois do acidente com as Torres Gêmeas, o
iPod é considerado o lançamento mais arriscado da Apple. No entanto, mesmo com a
comoção do povo americano, o aparelho virou febre no país e objeto de desejo no
mundo inteiro, principalmente agora com o iPod Touch, semelhante ao iPhone.
Com capacidade para até 40 mil músicas, a nova linha de iPods vai aumentar o
repertório dos DJs de festas, em que dois times equipados com iPods sobem no
ringue montado na pista, inspirando o grito da galera. O time que conseguir
fazer a balada gritar mais vence. Na casa carioca Dama de Ferro, sempre tem um
convidado pilotando um Numark, que dá para mixar com dois iPods. Ao invés de
apenas selecionar as músicas mais dançantes, essas mesas permitem fazer
scratches em tempo real, mixar, etc.
O DJ André Maia, depois que ganhou o aparelho de um amigo que voltou dos
Estados Unidos, uniu seu antigo de trabalho de DJ com seu novo "brinquedo": um
Numark com mixer para dois iPods. Depois de tocar em alguns bares e para amigos
na praia de Pipa, em Tibau do Sul, Rio Grande do Norte, começou a ser chamado
para outras festas. A vantagem, diz ele, é que com dois iPods de 30GB ele tem um
arsenal de até 30 mil músicas disponíveis. "Além disso, o mixer pode se acoplar
a qualquer outro aparelho que toque CD ou vinis, TVs, mp3 players, PCs, entre
outros", explica. No entanto, "esses primeiros mixers de iPods têm uma
aceleração de música um tanto quanto comprometida, prejudicando muitas vezes a
junção das músicas", pondera.
Fazendo a balada com o celular
O projeto Nokia Trends Mob Jam propõe agitar a pista de uma balada somente
com um celular, o 5200, que tem espaço para até 2GB de música em mp3. Top DJs
convidados encaram a proposta de interagir por meio de scratches, samples e
bases eletrônicas.
Márcio Vermelho foi um dos vários DJs convidados para essa experiência, que
achou interessante, mas tem suas ressalvas. "Acho divertido quando alguém com
bom gosto e conseqüentemente um bom repertório em seu tocador de mp3s comanda
uma festinha de amigos, ou algo do tipo. Mas é preciso caprichar para ficar
legal, DJs profissionais precisam de um aparato técnico mínimo para tocar bem.",
explica.
A produtora Lalai, sempre ligada nas tendências da noite e que trouxe a
Batalha de iPods no Brasil, também acha que basta ter um bom repertório para
agitar uma festa. Em recente discussão num site de música eletrônica, comentou:
"eu não sou DJ mesmo, ponto final... E nunca deixei a pista parada, acho que não
é um sinal tão ruim".
Laptop
Outro que não deixa a pista parada é o Girl Talk, que se apresentou no Tim
Festival 2007. Ele é um exemplo das possibilidades que o laptop dá. Mesmo não se
considerando um DJ, todos o rotulam como um. Ele entende, mas se explica: "Eu
nunca mixei gravações. Sempre me baseei no laptop. Eu nunca toco a música de
alguém de maneira inalterada. Eu nunca volto uma música para soltar num
determinado ponto depois. Nos shows ao vivo, é exclusivamente meu material
remixado. Eu mixo e junto cada parte da música individualmente: bumbo, caixa,
vocais, melodia e assim vai. Meu mérito é fazer música que existe com suas
próprias pernas. Algo que é novo, mas baseado em elementos reconhecíveis do
material de outra pessoa. Eu não me sinto ofendido pelas pessoas que me chamam
de DJ, mas eu sempre me senti mais próximo a artistas como John Oswald,
Negativland e Kid 606.", explica.
Isso é possível com o ÁudioMulch, um software de composição em tempo real.
Mas existem muitos outros softwares, como o Ableton Live e o Virtual DJ.
Fonte: Oba
Oba - Texto: Lívia Pereira